Uma das mais importantes bandas de Rock da década de 60, THE BRAZILIAN BITLES, tanto pelo nome como pelo repertório, o grupo é diretamente associado à Beatlemania, no período em que o quarteto de Liverpool esteve no auge. Mas a banda não se limitou apenas às influências dos Beatles, seus músicos procuraram diversificar sempre e com isso criaram um repertório variado, entre canções originais do grupo e versões roqueiras da melhor qualidade, como o sucesso "Gata (Wild Thing)", dos Troggs, além de tantas outras raras preciosidades do melhor do rock dos anos 60.
Banda carioca formada em 1965, a partir do núcleo de outra banda da época, The Dangers, em que participavam o guitarrista Vitor Trucco e e o cantor e guitarrista Jorge Eduardo, Os Brazilian Bitles contavam na sua formação original com Vitor Trucco (guitarra solo e depois, baixo), Luiz Toth (bateria), Fábio Block (Baixo, depois guitarra), Jorge Eduardo De Almeida (Voz e guitarra-base) e Eliseu Da Silva Barra, o Ely Barra (cantor e teclados).
Estrearam na boate "La Candelabre", com grande repercussão da mídia. O repertório da banda trazia de Beatles a Rolling Stones, passando por Chuck Berry, Little Richard e The Who, além das bandas garageiras americanas e ainda mais, o grupo trazia também influências do cancioneiro romântico brasileiro. Tudo isto misturado e transformado em canções próprias conquistou de forma arrebatadora a juventude brasileira dos meados dos 60.
As canções, permeadas de climas modernos, psicodélicos e garageiros, além de uma boa dose de romantismo nas baladas, causou sensação, e músicas como "Dedicado A Quem Amei", "Deixe Em Paz Meu Coração" e "Cabelos Longos, Idéias Curtas" se tornaram hits radiofônicos instantâneos.
Uma das principais características dos Brazilian Bitles era o seu grande humor e as cabeleiras dos seus integrantes. Este visual associado à juventude radiante dos seus integrantes, fez com que a banda fosse convidada a participar no cinema do filme "Rio, Verão E amor", de 1966, o primeiro filme colorido brasileiro.
Na TV Excelsior do Rio, o grupo passou a apresentar o programa BBC - "Brazilian Bitles Club". O programa ia ao ar aos sábados à tarde e fez grande sucesso entre o público jovem carioca.

Em 1967, gravaram seu disco de estréia, "É ONDA", pelo selo Polydor, com grande sucesso. O título do álbum era moderníssimo para a época, somente as cabeças jovens mais antenadas entenderiam aquela fantástica palavra, "É Onda", palavra que traduzia todo o alucinante estilo de vida jovem dos anos 60.

No final de 67, lançaram seu segundo disco, "THE BRAZILIAN BITLES - VOL. 2" (Polydor). Neste disco, os rapazes prestam uma grande homenagem a um dos ícones do rock brasileiro dos anos 50, Albert Pavão, ao regravarem o clássico "Filhinho Do Papai", lançada como faixa de abertura do LP.
Há também que se destacar neste álbum a gravação do hit "Pára Pedro", incluindo nos arranjos da canção, instrumentos inusitados para o rock, como violas e outros instrumentos de corda.

Em 1968, é lançado o último LP da banda, "The BRAZILIAN BITLES - VOL. 3". Até 1969, The Brazilian Bitles atuou na música jovem como uma das mais inovadoras e competentes bandas brasileiras, na divulgação do rock e da jovem guarda. Eles talvez tenham sido o primeiro grupo brasileiro a associar música e humor, como faria o Ultraje A Rigor, vinte anos depois. Eventos como a famosa "Missa do Iê Iê Iê" e a participação do grupo no cinema e na televisão confirma tudo isto. Somente a versão de Rossini Pinto para o clássico "Satisfaction", dos Stones, gravada pelo grupo como "Não Tem jeito", já colocaria a banda como uma das mais importantes do rock no Brasil. Mas eles fizeram muito mais.

RSTONE
 

 

COMO TUDO COMEÇOU

 

No ano de 1965, Vitor e o Jorge tocavam na banda "The Dangers" (Depois essa banda mudou o nome para "The Lords") e o Ely Barra cantava as vezes com a gente em um programa do canal 9, e no Clube de Regatas Guanabara aos domingos. Um dia o Ely foi chamado pelo Luiz Toth (baterista e líder dos Brazilian) para formar uma nova banda. Já estava lá também o Baixista Fábio Block, um paulista que tinha vindo morar aqui no Rio de Janeiro, vieram os três e nos perguntaram se queríamos entrar para uma banda de "IêIêIê" que imitariam nos cabelos aos "The Beatles". Gostamos da idéia e topamos entrar, aí ficamos sabendo que teríamos quatro dias somente para ensaiar, porque já estava marcada a estréia em uma boite da zona sul do RJ. A sorte era que o repertório era mais ou menos parecido com o nosso. Era basicamente músicas dos Beatles, Rolling Stones, etc. Ensaiamos esses quatro dias e o entrosamento foi total, parecia que tocávamos juntos há anos. Estreamos na boate "Le Candelabre" em Copacabana. Nesse tempo nosso empresário era o Glauco Pereira, estreante também no ramo, mas cheio de idéias novas. Ele avisou à mídia que naquela noite iria estrear uma banda que tocava Rock pesado e tinha um visual diferente, nessa época ninguém usava o cabelo comprido. A mídia esteve presente no segundo dia de show, o palco era tipo "Caver Club", era uma sala bastante pequena, deixava o som mais pesado ainda. Tocamos todas as músicas em inglês, e não deu outra... No outro dia estávamos nas páginas de todos os jornais, a boite começou a estar sempre cheia esperando a hora do nosso show, e as pessoas iam à loucura. Fazíamos também alguns Rocks tradicionais tipo "Jonnhy B Goody" ,"Long Tall Sally", "Roll Over Bethoven" etc. Fomos convidados para tocar na TV no programa "Rio Hit Parade", tocamos a música "Help" dos Beatles, que estava no primeiro lugar da parada. Foi uma loucura a semana inteira, todos os jornais, revista e rádios queriam fazer entrevistas com a gente, queriam saber se éramos casados, se estudávamos, se os cabelos eram de verdade etc. Naquele tempo as únicas bandas que faziam sucesso aqui no RJ, além do Brazilian Bitles, era o "Renato e Seus Blue Caps", e em Sampa "Os Incríveis". E não posso me esquecer do "The Jordans" também (ótimo conjunto instrumental). Todas as bandas que vieram depois tomaram como base uma dessas. Nossas apresentações ao vivo eram espetaculares, tem gente que ainda se lembra de ter nos visto em clubes. Antes de gravar o primeiro disco já estávamos viajando por todo o Brasil.
     

Em 1969 o fim da Banda

 
A banda original se separou em 1969, com a saída do Vitor e do Jorge, antes já tinham saído o Fábio e o Luiz.

Luiz Toth foi para os Estados Unidos, fazer um curso de pilotagem de helicópteros.

Fabio Block foi primeiro para Portugal e depois para a Alemanha, e formou uma nova banda quem quiser conhecer pode entrar neste link: Grupo Veneno Brasil o site é na Alemanha.

Jorge Eduardo se formou em Arquitetura, e trabalha na Barra da Tijuca onde toca vários projetos.

Vitor Trucco foi para a Argentina e retornou ao Brasil em 1986 (na anistia) é técnico de eletrônica.

Ely Barra fez carreira solo, conseguindo sucesso em duas músicas, infelizmente veio a falecer em 1991 de um acidente de carro.

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